Este post também está disponível em: pt-brPortuguês

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) diante das denúncias veiculadas pela União os Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) a respeito do massacre de mais de 20 Índios isolados que teria acontecido no final do mês de julho e início do mês de agosto no interior da terra indígena Javari, no oeste do Estado do Amazonas, na fronteira com o Peru, manifesta publicamente a sua indignação e repúdio a este crime recorrente – que vitimou nos anos 80 ao povo ticuna e ao povo yanomami no início da década dos 90. Práticas de genocídio decorrentes do desmonte do Estado, da paralização das demarcações e sobretudo da falta de uma política séria de vigilância e proteção das terras indígenas, o que acarreta a continuidade das invasões dos territórios indígenas – como nos tempos da colônia e dos bandeirantes – por parte de grileiros, madeireiros, pescadores e garimpeiros, todos ilegais, respaldados pela omissão e em alguns casos pela conivência de agentes do Estado.

A APIB exige do governo Temer, por meio do órgão indigenista, celeridade nas investigações do caso e que informe com urgência e transparência à opinião pública nacional e internacional, pondo fim ao clima de naturalização do império da violência em curso no país, voltada contra os povos indígenas, sob orientação e envolvimento direto de segmentos do capital, notadamente donos e representantes do agronegócio, da grilagem, dos grandes empreendimentos e aventureiros de toda natureza.

Do contrario, esse manto de etnocídio e genocídio que paira sobre os povos indígenas será de exclusiva responsabilidade do governo ilegal de Michel Temer.

Brasília – DF, 12 de setembro de 2017.

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Mobilização Nacional Indígena